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LUCIO MAIA

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Guitarrista da Nação Zumbi e de outros projetos musicais, ele lança seu primeiro disco solo com influências caribenhas. Lançamento: 20 de setembro.

“O continente latino-americano ainda não se entendeu como tal - e a barreira traçada pelo Tratado de Tordesilhas antes do descobrimento da América pode até ter mudado de formato, mas ainda determina uma cisão crucial entre o Brasil e seus vizinhos que falam espanhol. O idioma ainda é considerado a principal fronteira entre as duas culturas, mas não é só nas diferenças entre português e castelhano que a cultura brasileira não se mistura com a do resto da América Latina. Há um obstáculo cultural que mantém os dois blocos separados - embora os falantes de espanhol tenham curiosidade e mais informações sobre o nosso país do que nós temos deles. Foi incutido em nosso inconsciente que o Brasil é descolado do resto do continente como se fôssemos melhores ou diferentes do resto dos latinos. Felizmente estas barreiras vêm se derretendo com o novo século e há um interesse genuíno dos brasileiros em conhecer o canto do mundo que vivem, não apenas o próprio território nacional. Esse desinteresse pela América Latina é desculpável na medida em que os brasileiros ainda não conhecem a própria cultura nem o sentido mais amplo do que é ser nascido aqui. Fecha-se em alguns conceitos sobre o Rio, São Paulo, o nordeste, o sul e a Amazônia e imagina-se entendedor do país. Uma arrogância cultural ainda priva o brasileiro de conhecer a essência de sua nacionalidade. O guitarrista Lúcio Maia foi fundamental neste reconhecimento do que é a nacionalidade brasileira em termos musicais nas últimas décadas e agora parte nesta busca do autoconhecimento da Latino-América. Nesse novo projeto, ele desbrava o continente sul-americano (principalmente) num som que pesa no tempero latino sem abandonar a essência brasileña. Embora conhecido e reconhecido como guitar hero da Nação Zumbi, Maia tem uma trajetória paralela que mostra suas buscas por outras paragens musicais para além da colisão afrociberdélica de ritmos e melodias da usina de som pernambucana. Ele também tocou ao lado de Seu Jorge no grupo Almaz, com o rapper Rodrigo Brandão no grupo Zulumbi e com Marisa Monte na turnê Verdade, Uma Ilusão, além de seu próprio trabalho solo com o nome de Maquinado - em cada um www.tropi.press | instagram @_tropi_ destes projetos buscando, com sua guitarra, explorar novas sonoridades em extremos diferentes do leque musical brasileiro. Seus parceiros no novo álbum, intitulado Lúcio Maia são exploradores da mesma estirpe: Maurício Fleury, tecladista e guitarrista do Bixiga 70, conhece desde os inúmeros gêneros musicais africanos à toda gama de sonoridades brasileiras, passando por uma apetitosa discoteca latina, base de suas atuações como DJ, além de já ter tocado com Gal Costa, João Donato, Anelis Assumpção e Guizado. Já o baixista Fábio Sá é conhecido por seu trabalho com Rômulo Fróes e tocou com nomes tão diferentes quanto Negro Léo, Ana Cañas, Rodrigo Ogi e Lanny Gordin. O percussionista Felipe Roseno já esteve nas bandas de Ney Matogrosso e Maria Gadú, o baterista Hugo Carranca é o fiel escudeiro de Otto, Thiago Silva, também baterista, toca com a Black Rio e com Thais Gulin, e o baixista Dengue é parceiro de Lúcio na Nação Zumbi. “Sempre fui um amante da salsa, merengue, da música cubana e outros ritmos caribenhos, além da surf music e da guitarrada paraense”, explica Lúcio. O guitarrista e seus parceiros musicais enveredam por caminhos quentes e ensolarados, como soa o conjunto das oito faixas que formam seu disco de estreia. “Comecei compondo alguns temas em casa e resolvi gravar uma demo com essas músicas”, lembra ele. “O primeiro resultado foi animador. Daí incorporamos o Hugo Carranca na bateria, que é um especialista nesses ritmos, e o percussionista Felipe Roseno, um dos melhores de sua geração.” Além dos 7 temas autorais, o grupo ainda passeia por um clássico, o standard “Lithium”, do Nirvana - que toma um inusitado e refrescante banho de latinidade.”

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